O lixo nosso de cada dia

Por Tônia Amanda Paz dos Santos (a autora permite cópia, desde que citada a fonte)

Não é de hoje que estamos sendo alertados quanto à relação entre o consumo desenfreado e os seus impactos no meio ambiente. No entanto, muitas pessoas não conseguem fazer esta relação (ou preferem fazer de conta que não) ou, muitas vezes, não param para pensar sobre o assunto. Então, vamos entender um pouquinho o que uma coisa (consumo desenfreado) tem a ver com a outra (impacto ambiental)?

Antes de mais nada, vamos definir rapidamente o significado de 3 palavras-chave:  consumo/desenfreado/impacto ambiental:

Consumo:  segundo o dicionário Aurélio, é o “ato ou efeito de consumir; de gastar” (simples assim).

Desenfreado: Adjetivo derivado do verbo desenfrear. Segundo o dicionário Aurélio, desenfrear quer dizer “tirar o freio; soltar-se com ímpeto” (aliás, ímpeto, segundo o mesmo dicionário, significa, dentre outras coisas, “pressa irrefletida”).

Portanto, juntando as duas definições acima, podemos dizer que o consumo desenfreado é o ato de consumir ou gastar sem parar pra pensar. Ok! vamos à última definição do dia:

Impacto ambiental: segundo a  Resolução CONAMA 001/1986 é qualquer alteração das propriedades físicas, químicas e   biológicas do meio ambiente causada por qualquer forma de matéria ou energia resultante das atividades humanas que direta ou indiretamente, afetam:

 I – a saúde, a segurança e o bem estar da população;
II – as atividades sociais e econômicas;
III – a biota;
IV – as condições estéticas e sanitárias do meio ambiente; e
V – a qualidade dos recursos ambientais.”
 

O crescimento econômico de um país está diretamente relacionado ao aumento no consumo de sua população, o que, por sua vez, acaba gerando um problema que atinge toda a sociedade – inclusive as pessoas com menos acesso aos bens de consumo: o lixo.  Não faz muito tempo, vivíamos uma situação de estagnação econômica em que a inflação atingia índices impensáveis para quem nasceu após o Plano Real. As pessoas se viam obrigadas a economizar o que pudessem. Mesmo sem conhecer ainda a expressão – hoje tão em voga – elas acabavam praticando a reutilização de materiais em seu dia-a-dia. Aliás, as donas-de-casa sempre foram especialistas nisso, vocês não acham?

Aproveitamento: Bolo de casca de banana

Hoje, vivenciamos uma época de abastança e nos esquecemos de reaproveitar o que temos e poucas vezes paramos para refletir se o que estamos adquirindo é supérfluo ou realmente necessário. É muito bom observar o desenvolvimento do nosso país e a melhoria na qualidade de vida das pessoas. No entanto, não podemos aceitar que esse desenvolvimento seja conseguido a qualquer custo.  Nossa própria Constituição prevê o direito de todos ao meio ambiente ecologicamente equilibrado e diz, ainda, ser dever de todos “preservá-lo para as presentes e futuras gerações”.

Acontece que, muitas vezes, o lixo gerado por quem tem um maior poder aquisitivo prejudica diretamente os menos privilegiados (pessoas que acabam construindo suas moradias sobre antigos aterros, colocando sua saúde e vida em risco, ou procurando, em meio aos lixões, uma forma de subsistir) e para os animais, que não conseguem se defender das armadilhas que os resíduos, descartados de forma irresponsável, podem representar.

Impacto do lixo no meio ambiente

Precisamos ter em mente que nossas atitudes refletem, positiva ou negativamente, em outras pessoas e lugares. O monóxido e o dióxido de carbono expelidos pelos escapamentos de veículos em São Paulo, por exemplo, pode causar uma chuva ácida em uma cidadezinha pacata e tranquila do interior.

Impactos da chuva ácida: destruição de plantas e peixes e corrosão de esculturas e edificações

Enquanto não desenvolvermos o sentimento de empatia – isto é, passar a nos colocar no lugar do outro – dificilmente conseguiremos adotar um a conduta menos egoísta e mais sustentável com relação ao meio ambiente, como prevê nossa Constituição.

Eu confesso que, mesmo estando bem informada e tendo a consciência de como o lixo pode ser prejudicial para o nosso planeta, tomei um susto danado quando me dei conta relamente da quantidade de resíduos gerados aqui em casa.

Volume da Caixa: 20 litros

Essa quantidade foi reunida em 1 semana e refere-se apenas ao lixo seco (exceto papel higiênico) gerado por duas pessoas (eu e meu marido). Infelizmente, aqui em Varginha ainda não existe um sistema público de coleta seletiva, o que desmotiva a separação do lixo  residencial pela população.

Aqui em casa, a gente separa e limpa o que pode e doa para os catadores. O óleo usado é mais fácil de destinar, pois já existem vários pontos de coleta espalhados em instituições de ensino e empresas do município (felizmente, aqui em casa, até mesmo por motivos de saúde, costumamos usar pouquíssimo óleo, o que diminui também o resíduo gerado: 1 litro a cada ano, isso quando faço alguma fritura, senão o volume descartado é bem menor).

Procuro aproveitar também alguns materiais orgânicos, que, de outra maneira, seriam descartados, como cascas e bagaços de legumes e frutas. Isso graças a um curso que fiz no Sesi de São Paulo em 2006, através do qual pude aprender o valor nutricional de partes dos alimentos que acabam sendo desprezadas durante o preparo. 

Programa "Alimente-se bem com 1 Real", do SESI

Aqui vai uma das minhas receitas preferidas e muito simples de preparar:

Salada de casca de abóbora

Custo unitário:  R$ 0,05
Valor Calórico da
porção:  54,45 Kcal 
Rendimento:  04 porções
Tempo de
preparo:  20 min

Ingredientes:

Casca de abóbora (a aideal é a cabotiã)- 2 xícaras (chá)
Tomate picado- 1 xícara (chá)
Cebola picada- 1/2 xícara (chá)
Sal  a gosto
Azeite  2 colheres (sopa)  

Modo de Preparar

Lave a abóbora em água corrente, descasque e rale a casca. Em uma panela,
coloque água para ferver e cozinhe a casca de abóbora (não deixe ficar mole demais). Depois de cozida, escorra a água e deixe esfriar. Junte o tomate, a cebola, o sal e o azeite. Leve à geladeira. Sirva fria.  

Dica: Vá separando as cascas, conforme for usando a abóbora, lavando e secando bem e guardando em potinhos na geladeira até conseguir o suficiente. Se a família for grande, misture com talos de couve ou agrião bem limpos e picados ou com um pouco de cenoura ralada.

Salada de casca de abóbora

Faça o download da apostila

O consumo consciente, a reutilização, a reciclagem e o aproveitamento de materiais dentro de casa  podem até parecer de pouca importância em comparação com os rejeitos produzidos nas indústrias, na agropecuária ou nos hospitais. Mas estas são ações que estão ao nosso alcance e dependem apenas da nossa boa-vontade. E, ao contrário do que pode parecer, fazem, sim, uma grande diferença e o meio ambiente agradece. Está mais do que na hora de parar de fugir de nossas responsabilidades – esperando sempre que outros tomem ações mirabolantes – e agir. 

Atitudes simples: reúso da água (mas é importante armazenar adequadamente para evitar o risco de dengue)

Para refletir:

“Ambiente limpo não é o que mais se limpa e sim o que menos se suja” (Chico Xavier)

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2 respostas para O lixo nosso de cada dia

  1. Blog Teia disse:

    Olá.
    Post divulgado no Teia.
    Até mais

  2. Rubi disse:

    Sabe; é engraçado como atualmente nós temos vários motivos pra reciclar o lixo. Até porque nós produzimos muito, muito mesmo. E convenhamos, quando sabemos usar determinado tipo de coisa, podemos até ganhar alguma coisa com isso. Já tive a oportunidade de ver muitas pessoas fazendo artesanato com garrafas, anéis de latinha e enfim. E de fato, o resultado é impressionante.

    Parabéns pelo excelente psot!

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