“A responsabilidade de ter olhos quando os outros os perderam”

Por: Tônia Amanda Paz dos Santos (a autora permite cópia, desde que citada a fonte)

Essa frase, do escritor português José Saramago (prêmio Nobel de literatura em 98), sempre me vem à cabeça. São tantas as situações em que ela se encaixa. E há algum tempo, quando finalmente consegui me decidir, verdadeiramente, por uma carreira, a lembrança tem aparecido com muito mais frequência.

Eu sempre tive muitas dúvidas acerca da minha vocação. Desde que me entendo por gente, sempre ouvi as outras pessoas me dizerem maravilhas sobre o meu potencial. E durante toda minha vida estudantil sempre procurei atender a essas expectativas. Acabei me frustrando e frustrando todos os que esperavam de mim grandes feitos.

Eu não me tornei uma empresária ou uma executiva de sucesso, tampouco uma superstar ou um membro da Academia Brasileira de Letras. Sim, eu até tentei enveredar por essas carreiras que podem nos cercar de certo status, mas não segui em frente. E querem saber por quê? simplesmente porque não era uma expectativa minha. Hoje eu posso dizer com certeza (e sem nenhum receio de parecer tola ou simplória demais), o que eu espero de mim. Eu quero ser um par de olhos. Mas não um par de olhos qualquer. Eu quero ser desses do tipo que guiam. Eu quero ser uma educadora, também chamada, popularmente, de professora.

Com isso, eu pretendo, assumidamente, tomar para mim (como tantas outras pessoas já o fizeram e fazem) parte dessa responsabilidade de que fala Saramago. E isso tem me assustado enormemente, pois o que mais tenho encontrado durante essas minhas idas e vindas pelos bancos das escolas e universidades são pseudo-educadores: criaturas que parecem sentir prazer em destruir a auto-estima de seus alunos. Muitos, na verdade, aproveitam-se da ignorância alheia para alimentar seus egos enormes e insaciáveis (como certos tipos de indíviduos que andam sempre acompanhados de pessoas feias para, de certa forma, esconder sua própria feiúra). Perderam seus olhos, se é que algum dia os tiveram, por vaidade, egoísmo, frustração, rancor….vai saber.

Mas nem tudo está perdido quando, em meio à tanta cegueira (e mediocridade), encontramos um ou outro par de olhos que nos guiam, nos inspiram, nos transformam. Algumas vezes eu tive a felicidade de encontrar esses olhos. E eu enxerguei através deles. E querem saber de uma coisa? ao olhar através deles, pela primeira vez, eu aprendi a olhar através dos meus próprios olhos. E sabem o que eu vi (de forma clara como um dia de sol)? eu enxerguei a responsabilidade de ter olhos, quando tantas pessoas os perderam.

P.S.: Esse post é um desabafo. Mas é também, principalmente, uma declaração de gratidão por todos os professores que fizeram a diferença na minha vida. Em especial, para os meus queridos e inesquecíveis professores: tia Cristina (1ª série do antigo primário, Carajás, Pará, 1982), José Barreto (Geografia, São Paulo, 1996), Márcia Celestini (Língua Portuguesa, Osasco, São Paulo, 2001) e Antônio Fernando G. Alves (Metodologia Científica, Osasco, São Paulo, 2001). Vocês sempre foram e sempre serão uma grande inspiração para mim.

Para Refletir:

“A Educação sozinha não transforma a sociedade. Sem ela, tampouco, a sociedade muda.” (Paulo Freire)

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2 respostas para “A responsabilidade de ter olhos quando os outros os perderam”

  1. Brunno disse:

    Muito bom o blog , parabéns , é muito bom ver pessoas assim , que se preocupam com o meio ambiente , com as pessoas , e a sociedade !
    De agora em diante , nunca mais vou esquecer esta frase de José Saramago.
    Suce$$o !

  2. Rubi disse:

    Ah … os professores. Tenho muita admiração por quem escolhe essa profissão. É uma pena que hoje em dia, as pessoas não tem dado o devido valor a isso. Enfim, eu tive a sorte de conhecer pessoas fantásticas quando estudava, meus professores sempre foram muito atenciosos comigo, e muitas vezes eu fazia uma imagem completamente distorcida deles, e por incrível que pareça, são justamente esses que eu ainda tenho contato. Grandes profissionais, homenagem mais que merecida, sem dúvidas!

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