“O poste que floriu” ou “O Ipê que virou poste” ou “O poste que virou post”

A natureza sempre tenta nos ensinar alguma coisa. Mas, será que aprendemos?

Por: Tônia Amanda Paz dos Santos (a autora permite cópia, desde que citadas as fontes)

O fato, relatado a seguir, não é novo. A notíca foi publicada, em 2009, em diversas mídias. Mas, como a gente normalmente se esquece de certas coisas  das quais não deveríamos e como eu a recebi novamente, via e-mail, recentemente, achei que ela merecia um espacinho no meu blog.

O curioso caso aconteceu em Porto Velho (Rondônia). Por incrível que pareça, uma árvore bem representativa da belíssima flora brasileira – o Ipê amarelo – teve seu tronco utilizado como poste de iluminação em uma das ruas da cidade.

Depois de aparado e colocado na rua, o tronco recebeu os fios de eletricidade. Parecia que esse seria um final indigno para uma árvore tão bonita. Mas não foi. Passado algum tempo, o tronco recomeçou a florescer.

Segundo o engenheiro florestal e ambientalista carioca Glauber Pinheiro, o ideal são postes de eucalipto tratados que duram até mais que os de concreto, e ainda têm propriedades mais adequadas como poste. Árvores de eucalipto com sete anos já podem ser transformadas em poste. Já o ipê da foto tem pelo menos 15 anos.

Glauber adverte que não se deve utilizar madeira para fazer poste sem que passe por um processo de secagem. Informa ainda que se fosse uma espécie que não enraizasse a vida útil seria mínima, além de rapidamente ser atacada por organismos xilófagos (que deterioram madeira) e estabelecem colônias.

Um outro fato importante apontado pelo ambientalista é que árvores não apropriadas para fazer poste correm o risco de tombar em cima de uma casa ou automóvel, ou pior, de pessoas, e ainda levar toda fiação elétrica junto.

“A árvore deve ter sido cortada e colocada em outro lugar em pouco tempo, e aí, dependendo da espécie, ela enraíza mesmo, e brota novamente. Bem, utilizar um ipê para poste é brincadeira. É para isso que serve o eucalipto e este caso não serve como referência, mas sim como o poste brotou. O toco que ficou no lugar onde cortaram a árvore deve ter rebrotado também”, comenta Glauber.

Além disso o ambientalista enfatizou o problema que é a calçada cimentada, enforcando a base do poste, isto é, a árvore. Essa vai morrer novamente. Corre o risco também de tombar. “Tomara que abram aquele cimento em volta da árvore para que ela sobreviva, evitando o que chamamos de estrangulamento de colo”, conclui. (Jornal dos Amigos, 12/04/2009).

Por maior ou menor que seja a intervenção humana na natureza, ela nunca ficará sem uma resposta (não foi  Newton quem disse que “toda ação gera uma reação”?). Às vezes essa resposta é positiva. Outras vezes, não. É como se a natureza estivesse, o tempo todo, a nos ensinar alguma coisa. Infelizmente, apesar de anos e anos de evolução; apesar de todo conhecimento acumulado e repassado através de gerações, muitos de nós ainda não somos capazes de compreender as coisas mais simples: como a insistência de um singelo tronco de ipê em nos alegrar uma vez mais com, quem sabe, sua última florada.

Crédito de imagem: Leandro Barcellos (Jornal dos Amigos)

Para Refletir:

“É triste pensar que a natureza fala e que o gênero humano não a ouve.” (Victor Hugo)

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9 respostas para “O poste que floriu” ou “O Ipê que virou poste” ou “O poste que virou post”

  1. Pingback: O poste que virou post | Blog Teia

  2. Blog Teia disse:

    Olá Amanda.
    Bom vela na teia novamente.
    Pelo menos o poste ficou bem mais bonito rsr
    Postagem divulgada no blog Teia.
    até mais.

  3. Victor disse:

    Essa história é incrível. Mais uma vez o homem achando ser superior à natureza…

    • Victor disse:

      Oi Amandita. A maioria das moedas do blog são do meu acervo pessoal. No momento estou a procura de algumas para trocar. 100 e 500 yenes do Japão e uma moeda de 1 Real sobre os direitos humanos.

  4. beto disse:

    Adorei seu blog! Voltarei sempre, esse post parece um conto romântico com foco ambiental, muito legal.
    Tenho alguns blog, e este que coloco aqui é de cunho medicinal que pode ajudar muito.
    Também faço parcerias.
    Obrigado

    http://plantasmedicinaisamazonas.blogspot.com/

  5. Juliana disse:

    Essa arvore parece um Ipê. É um? UHSAHSAIHSIA E esse texto ficou lindo, flôr!

  6. Eliana Ribeiro disse:

    É…O homen querendo se impor à natureza e a natureza querendo mostrar o seu valor! Uma imagem digna de reflexão!

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