Hidrelétrica de Belo Monte: necessidade ou politicagem?

Por: Tônia Amanda Paz dos Santos (a autora permite cópias, desde que citada a fonte ou/e indicado um link para este blog)

Em junho deste ano, após décadas de manifestações e debates acalorados por parte da sociedade (o projeto inicial de Belo Monte vem do período da ditadura militar), o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e Recursos Naturais Renováveis (Ibama), finalmente decidiu autorizar a instalação da construção da usina hidrelétrica de Belo Monte, no rio Xingu, no Pará.

O licenciamento inaugurou uma nova onda de protestos acirrados, em âmbito nacional e internacional, contra a construção da usina. Para entender o porque de tanta polêmica, é preciso conhecer os argumentos contrários e a favor do projeto:

A favor:

  • “A usina de Belo Monte levará desenvolvimento à região de Altamira (PA) e municípios vizinhos e a melhoria das condições de vida de 4.500 famílias que residem em palafitas;
  •  A região também receberá uma compensação financeira anual de R$ 88 milhões;
  • Belo Monte é uma hidrelétrica de “fio d’água”. Ou seja: quando a vazão é pequena ela gera menos energia;
  • A UHE Belo Monte foi planejada para gerar no pico cerca de 11 mil MW e como energia firme, média, cerca de 4mil MW. Este é o arranjo de engenharia possível para Belo Monte gerar energia de forma constante com baixa impacto socioambiental e com a menor área alagada possível.”¹

Além disso:

  • A construção de Belo Monte deve gerar  milhares de empregos diretos e indiretos;
  • De acordo com a proposta, a usina ajudaria a suprir a demanda por energia de 26 milhões de pessoas com perfil de consumo elevado no país;
  • O preço da energia produzida na usina seria mais competitivo;
  • É uma energia renovável e limpa.

Contra:

  • “A hidrelétrica de Belo Monte propõe o barramento do rio Xingu com a construção de dois canais que desviarão o leito original do rio;
  • A UHE de Belo Monte vai operar muito aquém dos 11.223 MW aclamados pelos dados oficiais, devendo gerar em média apenas 4.428 MW, devido ao longo período de estiagem do rio Xingu;
  •  Devido à ineficiência energética, Belo Monte não pode estar dissociada da ideia de futuros barramentos no Xingu;
  •  O processo de licenciamento da UHE Belo Monte tem sido cercado por polêmicas, incluindo ausência de estudos adequados para avaliar a viabilidade ambiental da obra, seu elevado custo, a incerteza dos reais impactos sobre a biodiversidade e as populações locais, a ociosidade da usina durante o período de estiagem do Xingu, e a falta de informação e de participação efetiva das populações afetadas nas audiências públicas”.²

Além disso:

  • Dentre os impactos ambientais, está prevista a perda de centenas de espécies;
  • Há dúvidas sobre a viabilidade econômico-financeira do empreendimento;
  • O desvio do curso do rio irá alagar regiões, atingindo milhares de pessoas que terão de mudar-se para outras áreas;
  •  O alagamento dessas regiões formará grandes reservatórios de água parada, o que pode contribuir ainda mais para a proliferação de doenças, como a malária, endêmica na região;
  • Com os valores estimados necessários para a construção da usina, especialistas alegam que seria possível investir em tecnologia e pesquisa sobre energias alternativas e eficiência energética.

    Ilha da Ressaca, na Volta Grande do Rio Xingu; no local, está prevista a construção da hidrelétrica de Belo Monte Foto: Dida Sampaio (Agência Brasil)

Belo Monte é um dos maiores investimentos do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) do governo federal e, a julgar pela insistência do governo em aprovar a sua construção – apesar dos protestos e dos estudos que demonstram a inviabilidade do projeto – pode fazer acreditar que a atenção especial dada ao empreendimento, nos últimos tempos, tem cunho muito mais político do que econômico ou desenvolvimentista.

A polêmica acerca do empreendimento ainda vai longe. Precisamos estar atentos ao andamento do processo de construção da usina, a fim de nos posicionar, não apenas como profissionais, mas  como cidadãos, exigindo, de fato, a conciliação entre as necessidades econômicas do país, a sustentabilidade do Meio Ambiente e demais questões, como as relacionadas à Saúde, Segurança e Responsabilidade Social.

Manifestação na Av. Paulista, SP, contra a construção da usina de Belo Monte (08/2011). Foto: GUSTAVO RAMPINI/AGÊNCIA ESTADO

 Para refletir:

“Com grande freqüência, a política consiste na arte de trair interesses reais e legítimos e de criar outros, imaginários e injustos.” (Arturo Graf)

 

¹ Os argumentos a favor, entre aspas aqui citados, estão disponíveis no blog Norte Energia – Usina Hidrelétrica de Belo Monte.

² Os argumentos contrários, entre aspas aqui citados, estão disponíveis no site SOS Mata Atlântica – Envolverde

Leia mais em:

Carta Aberta de Dom Erwin Kräutler: Belo Monte- O diálogo que não houve 
Belo Monte é a maior e mais polêmica obra em andamento no país
Hidrelétrica de Belo Monte contratará todos os trabalhadores aprovados em curso de capacitação
Blog Norte Energia- Usina Hidrelétrica de Belo Monte
Blog Míriam Leitão
Usina Hidrelétrica de Belo Monte
 
 
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13 respostas para Hidrelétrica de Belo Monte: necessidade ou politicagem?

  1. nestor disse:

    O principal deveria ser investir em energia limpa. O Brasil tem muito potencial para o uso da energia eólica (vento), por que será que não investe nessa energia, que não causa impacto ambiental. Tanto se fala em preservação do meio ambiente naquela região. Por que não começar com energia limpa? Ou será que a politicagem não permite?
    Um abraço Tônia, fique com Deus!

    • Pois é amigo,

      Os que defendem o projeto alegam que as hidrelétricas são fontes de energia limpa e renovável. Pode ser. No entanto, é preciso que a construção também seja limpa. Não apenas no aspecto de legalidade e clareza, mas no que se refere aos impactos sociais e ambientais, dentre outros.

      Um abraço e obrigada pela participação.

    • Antonio disse:

      Bem, de fato energia elétrica também é limpa o problema são os impactos de outra natureza, o custo muito alto acredito que uma usina deste porte não traria retorno portanto o mais provável é que os idealizadores tenham outras pretensões para o futuro que não querem revelar agora

  2. dupirollo disse:

    Olá minha querida amiga Amandita!!!
    Minha amiga, acho que um pouco de cada coisa, digamos que é necessário se investir em eletricidade naquela região e também temos o grande interesse dos políticos em se promoverem… Se o impacto ambiental for muito grande, neste caso os fins não justificam os meios, melhor seria investir em um outro tipo de geração de energia… se não se tem uma certeza de que a energia estimada será produzida, melhor deixar a natureza sobreviver… será um remendo novo em pano velho…
    Parabéns pela excelente postagem, valeu minha amiga!!!
    Tenha uma ótima noite e um domingo maravilhoso, repleto de muita luz!!!
    Abraços com carinho e muita paz!!!

    • Olá meu amigo Luis,

      Você está certíssimo, é preciso avaliar muito bem os prós e os contra do projeto. Eu penso que esse tipo de obra é o sonho de qualquer político. Por isso, muitas vezes somos levados a acreditar que é um mal necessário…

      Eu não sou o que chamam de “biodesagradável” ou “ecochata”…rs. Não sou contra o desenvolvimento, só acho que, em uma democracia, todas as vozes deveriam ser levadas em consideração, não apenas aquelas que se desejam ouvir.

      Há algum tempo, eu estava escutando um noticiário de uma Rádio em que se informava que o governo peruano acabava de suspender a licença para a construção da Inambari (o que será a maior hidrelétrica do país). As comunidades locais e indígenas reclamaram, dizendo que não tinham sido consultadas e que seriam afetadas pela obra.

      Precisamos rever nossas necessidades. Rever a forma como consumimos nossos recursos. Caso contrário, estaremos sempre em vias de construir mais uma e mais uma e mais uma usina.

      Um grande abraço e muito obrigada pela participação, viu?

  3. carlossertao disse:

    Você nem tenha medo que sempre haverá a mão do gato e limpa só a água, os impactos, ao meu ver serão maiores que os benefícios e fica difícil apoiar tal iniciativa. E os nativos, que terão que sair da área? Parabéns mais uma vez pelo blog.

    • Pois é meu amigo, o pior é que o governo não está aberto ao diálogo. Ao que parece, a decisão já está tomada, você não acredita? Infelizmente, se for assim, quem mais uma vez pagará a conta é o povo.

      Obrigada pela participação e pela visita. Um grande abraço!

  4. Giuliano disse:

    Achei esse vídeo legal sobre o assunto no Youtube e deixo aqui para vocês verem:

  5. Olá Giuliano,

    Obrigada por compartilhar o vídeo conosco. Gostei da sua participação. Volte sempre.
    Um grande abraço e um ótimo restinho de semana para você.

  6. Olivio Gustavo Conte - TST - Pato Branco - PR disse:

    boa noite…
    Itaipu também era uma aberração, diziam ja na epoca os ambientalistas inrrustidos
    Diziam ainda, que as usinas construidas ao longo do rio iguaçu, em pouco tempo secaria as cataratas do iguaçu,,, e então? o que se ve? houve prejuizos ou houve ganhos? as maiores areas de preservação do estado do paraná estão no entorno das usinas com especies preservadas, mata protegida…

    e não deixa de ser energia limpa, pois pós construção, a natureza se recupera… e a agua flue pelo leito do rio normalmente…

    Os ambientalistas inrrustidos… dizem que o vento é a melhor solução…. mas não conhecem o verdadeiro impacto da construção das torres, que ocupam espaço, se não maior quase o mesmo que um alagado…

    espero ter contrubuído.

    • Olá meu amigo,

      A grande polêmica de Belo Monte nem tem sido tanto o impacto ambiental (já se espera algum impacto em obras desta natureza). O que se questiona, acredito, é a viabilidade do empreendimento, isto é, a relação custo-benefício. Estudos afirmam que, para que uma hidrelétrica amortize o que nela foi gasto, é preciso que a energia, por ela produzida, varie em torno de 55% da capacidade nominal de geração. Em Itaipu, a capacidade está em torno de 60%, contra os 40% estimados para Belo Monte. Além disso, produzirá energia a quase 5.000 km distantes dos centros consumidores, o que gerará perdas consideráveis durante na transmissão da energia. Há tanta incerteza que as principais empreiteiras deixaram de ser sócias no projeto para se tornarem suas construtoras – isto é, deixam de investir para faturar com a construção. E para quem sobrará a conta? nem precisa ser Bidu para adivinhar a resposta.

      De qualquer forma, agradeço por nos revelar seu ponto de vista. Não sou contra o desenvolvimento, pelo contrário. Sou contra esta forma de se fazer política em nosso país sob pretextos desenvolvimentistas e ilusórios. Um grande abraço para todos os amigos paranaenses.

  7. João kampos disse:

    Olá . Bom Dia! – Estou me Candidatando a vaga de “Gerente de Contrato”, “Gerente de Recursos Humanos” ou “Gerente Administrativo Financeiro” na obra de Belo Monte. Sou Brasileiro, Paraense, Contador e Escritor, com vivência de 10 anos trabalhando em Consórcio da Construção Civil. Período onde adquiri larga experiência que me levaram a Escrever o Livro Técnico “Manual Prático para Consórcio da Construção Civil”, lançado em 2011 na feira do Livro .Cujo propósito é de auxiliar os empresários, funcionários e empreendedores que atuem no ramo da construção civil.

    Dentre as minhas aptidões destaco as seguintes: Perfeccionista, a dedicado, facilidade de interação com o grupo e responsável para atuar nas áreas: Gerente de Contrato; Gerente Administrativo Financeiro; Gerente área de Relações Humanas; Gerente Comercial, Logística intersetorial e
    Gerente de logística dos negócios perante Terceiros.

    Busco minha efetivação recolocação no mercado, para desenvolver trabalho nos objetivos da empresa e gerar bons resultados, propiciando o crescimento da empresarial do grupo.

    Att.

    Kampos
    Tel.:(91) 3277 4344 – Cel.:(91) 9616 1415- Oi – Cel.:(91) 9270 8497 -Vivo
    E-mail: kampos.brahva@gmail.com
    Belém – Pará – Amazônia-Brasil

    • Amanda Paz disse:

      Boa tarde João, apesar de não ter sido esta a intenção da postagem, fica registrado seu interesse em uma vaga para os cargos do seu interesse. Espero que consiga uma oportunidade em uma outra empresa, na qual suas aptidões possam ser melhor aproveitadas.
      Abraços e obrigada pela visita ao blog.

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